No mercado de biogás, é comum focar apenas na estrutura física (tanques, agitadores e motores), mas o verdadeiro “coração” da operação é invisível a olho nu: a microbiota. Em um episódio recente do podcast, Jéssica Leal, engenheira de bioprocessos e fundadora da Biogenix, explicou como a aplicação correta de microrganismos e enzimas pode não apenas resolver problemas operacionais, mas aumentar consideravelmente a produção de metano.
1. O Trio da Performance: Microrganismos, Enzimas e Micronutrientes
Muitas vezes confundidos, esses três elementos possuem funções distintas e complementares na biorremediação:
- Micronutrientes: Atuam como bioestimuladores, ativando a microbiota natural já presente no sistema. Eles são essenciais para “destravar” a atividade enzimática das bactérias, especialmente as metanogênicas, que são extremamente sensíveis.
- Enzimas: São os “produtos” das bactérias, responsáveis por quebrar a matéria orgânica complexa em partes menores durante a fase de hidrólise.
- Bactérias (Microrganismos): São as fábricas vivas que produzem as enzimas. Segundo Jéssica, investir em bactérias costuma ser mais viável financeiramente, pois elas se desenvolvem e se multiplicam dentro do ambiente do biodigestor.
2. Soluções para cada Etapa do Fluxo
A Biogenix desenvolveu soluções específicas para os desafios reais do campo:
- Hidrólise (BACGEN): Focada na quebra inicial de resíduos complexos como a lignina, facilitando a transformação em carbono assimilável.
- Biodigestão (BIODIGEST): Um mix de bactérias anaeróbicas que acelera a produção de biogás e melhora a eficiência em sistemas sobrecarregados.
- Tratamento de Odor (BIOSSAN): Aplicado no digestato final (lagoas), neutraliza odores desagradáveis, o que é crucial para evitar multas ambientais e melhorar a aceitação do biofertilizante em áreas próximas a comunidades.
3. Resultados Reais: De 40% para 80% de Metano
Os números apresentados por Jéssica impressionam. Em um dos casos citados, uma planta que trabalhava com afluentes complexos viu a concentração de metano saltar de uma base de 40-50% para quase 80% após o uso das soluções biológicas. Além disso, houve um aumento no volume total de biogás produzido entre 15% e 20%.
Outro ganho significativo é a redução do gás sulfídrico (H2S), que em alguns casos caiu para níveis tão baixos (cerca de 26 ppm) que reduziu drasticamente o custo com a purificação do gás.
4. Vale a pena o investimento?
Uma dúvida comum é sobre o custo desse aditivo. Jéssica explica que, embora haja um investimento inicial (OPEX) para inocular o sistema, o custo tende a cair ao longo do tempo, transformando-se em uma taxa de manutenção, enquanto os ganhos de produção permanecem altos. Se o ganho em energia ou venda de biofertilizante for o dobro do valor investido no produto, a conta fecha com folga.
Conclusão
A biotecnologia é o “caminho sem volta” para quem busca competitividade no setor de biometano. Assim como a indústria do etanol evoluiu através da melhoria da eficiência biológica, o mercado de biogás brasileiro começa a entender que performance se faz com ciência aplicada.
Se você está pensando em tirar um projeto de biogás ou biometano do papel, fale com o time da Dr. Biogás. Juntos, podemos identificar a solução mais adequada para a sua realidade e transformar potencial em resultado!
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Para saber mais sobre este bate-papo, assista ao Podcast na íntegra:
Sobre a Dr. Biogás
A Dr. Biogás é uma empresa de engenharia especializada em consultoria de projetos e capacitação profissional no setor de biogás e biometano.
Artigo desenvolvido por: Jadiane Paola Cavaler – Consultora de projetos da Dr Biogás.


