DICAS DE BIOGÁS

A escala mínima do biogás: os números reais que fazem o projeto fechar a conta

 

“A partir de quantos animais um biodigestor realmente passa a valer a pena?”

Essa pergunta foi o ponto central de uma conversa recente no Dr. Biogás Podcast com Rodrigo Silva, gerente comercial e supervisor de engenharia da Bioter Chapecó, empresa que atua há quase três décadas com soluções ambientais no agro e que já implantou mais de 120 plantas de biogás em operação no Brasil. Ao longo do episódio, ficou claro que a resposta clássica “depende” continua sendo tecnicamente correta, mas na prática, esse termo tem números muito bem definidos, que vêm de projetos reais, funcionando, gerando energia todos os dias e pagando a própria conta.

Durante muitos anos, o produtor rural comprava um biodigestor, apenas isso. Um equipamento cuja promessa era transformar esterco em gás. E de fato o gás era produzido. O problema é que o objetivo do produtor nunca foi produzir gás. O objetivo sempre foi reduzir custos, resolver o passivo ambiental e, se possível, gerar retorno financeiro. Sem projeto elétrico, sem integração com a rede, sem análise da conta de energia, sem estudo do fluxo do dejeto e sem a infraestrutura correta, o biodigestor se tornava um elemento isolado dentro da propriedade. Funcionava tecnicamente, mas não fechava economicamente.

O biogás nunca foi um equipamento. Sempre foi, na essência, um projeto energético completo. Quando esse entendimento muda, muda também a forma de avaliar a viabilidade. O foco deixa de ser “quanto gás eu produzo?” e passa a ser quanto dinheiro eu deixo de gastar?”. É aqui que entra o conceito que transforma completamente a matemática do projeto: o custo evitado.

A energia vendida para a rede costuma valer entre R$ 0,40 e R$ 0,50 por kWh. A energia que o produtor deixa de pagar na própria conta pode custar R$ 0,70  e R$ 0,75 por kWh. Essa diferença muda drasticamente o tempo de retorno do investimento. Por isso, na maior parte dos casos, utilizar a energia dentro da propriedade é muito mais vantajoso do que vendê-la. Com esse raciocínio claro, os números começam a fazer sentido.

Suinocultura

Na suinocultura, a viabilidade está diretamente ligada ao ciclo produtivo. No crechário, projetos começam a apresentar retorno atrativo quando a granja ultrapassa a faixa de 10 a 12 mil leitões. Já na terminação (que é a base da suinocultura brasileira) existe um número que se repete com muita consistência nos projetos reais: a partir de 3.500 suínos, o biodigestor deixa de ser aposta e passa a ser investimento.

Isso ocorre porque, a partir desse ponto, o ganho de escala passa a trabalhar a favor do produtor. Aumentar um pouco o diâmetro do biodigestor quase não altera o custo da estrutura, mas aumenta significativamente a capacidade de produção de gás. O mesmo acontece com o gerador: sair de um equipamento menor para um de 75 kW, por exemplo, muda pouco em investimento, mas muito a geração. Quanto maior a granja acima desse patamar, mais evidente se torna a viabilidade.

Quando se fala em UPL (unidade produtora de leitões), o número de referência gira em torno de 1.500 matrizes. Acima disso, a produção de dejeto é tão significativa que a análise de viabilidade chega a ser quase protocolar, pois o retorno tende a ser bastante rápido.

 

Bovinocultura

Na bovinocultura de leite, o cenário se torna ainda mais favorável. A vaca produz um volume muito maior de dejeto por animal e, ao mesmo tempo, a atividade consome muito mais energia. Ventilação, resfriamento, ordenha, bombeamento e manejo fazem com que a conta de luz tenha um peso considerável no custo da operação. Isso cria uma combinação extremamente interessante para o biogás.

Em sistemas de compost barn, onde parte do dejeto fica retido na cama, projetos começam a se viabilizar com cerca de 250 vacas em lactação. Já em sistemas de free stall ou confinamento total, onde praticamente todo o dejeto pode ser aproveitado, esse número pode cair para algo entre 150 e 200 animais.

Existe ainda um detalhe técnico que influencia muito essa conta e que costuma passar despercebido: a separação de sólidos antes do biodigestor. Muitos sistemas utilizam separadores com a intenção de facilitar a operação, mas acabam descartando justamente a fração mais rica em potencial de produção de biogás. Na prática, essa separação pode representar perdas próximas de quarenta por cento na geração de gás. Por isso, projetos mais modernos vêm utilizando biodigestores de mistura completa, circulares ou modelos semi-CSTR adaptados à realidade brasileira, permitindo que todo o dejeto entre no sistema.

Um indicador prático ajuda a dimensionar essa diferença: uma vaca leiteira pode produzir, em média, cerca de 6,5 m³ de biogás por dia. Em uma propriedade com 250 vacas, isso representa aproximadamente 1.600 m³/dia, volume superior ao produzido por uma granja com 3.500 suínos, por exemplo.

 

E quanto ao investimento?

Quando se olha para o investimento necessário, outro ponto importante aparece. Não se trata do custo do biodigestor isolado, mas do custo da planta funcionando de fato. Considerando a estrutura completa para geração de energia, projetos de suinocultura partem de algo em torno de R$ 650 mil reais, enquanto projetos de bovinocultura começam, em geral, na faixa de R$ 850 a 900 mil reais. Esse valor inclui tudo que é necessário para que o sistema realmente gere energia e reduza a conta do produtor.

No fim das contas, apesar de toda a complexidade envolvida, três informações já permitem prever grande parte da viabilidade de um projeto: o número de animais, o ciclo produtivo e o valor da conta de energia elétrica. Com esses dados, já é possível saber se vale a pena avançar.

 

Conclusão:

A partir desses pontos, o biogás deixa de ser apenas uma solução ambiental e passa a ser, de forma muito objetiva, um projeto de geração de caixa e redução direta de custos dentro da propriedade. E é nesse momento que a pergunta deixa de ser “quanto custa um biodigestor?” e passa a ser “quanto estou deixando de economizar por não ter um?”. A partir desse ponto, o biodigestor deixa de ser visto como um equipamento e passa a ser entendido como parte da estratégia produtiva da propriedade. Não se trata mais de saber quanto custa implantar o sistema, mas sim quanto a propriedade está deixando de economizar por ainda não contar com ele.

 

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Quer saber mais sobre esse bate papo? assista na íntegra o Podcast:

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Artigo desenvolvido por: Jadiane Paola Cavaler –  Consultora de projetos da Dr Biogás.

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