O mercado de biogás no Brasil amadureceu, e muito. Se há alguns anos instalar um motogerador era uma aventura cheia de incertezas, hoje esse cenário evoluiu com base em muita tentativa, erro e, principalmente, aprendizado. Em um bate-papo franco e técnico no podcast da Dr. Biogás, Fabiano Lovato, gerente geral da unidade de gás da Leão Energia, compartilhou os mais de 15 anos de experiência no setor e trouxe insights importantes para quem atua ou quer atuar nesse mercado.
O podcast inicia com uma reflexão sobre uma situação comum no setor: quando a planta de biogás para, ou apresenta algum problema, o gerador costuma ser o primeiro “culpado”. Mas, como explica Fabiano Lovato, essa visão simplista muitas vezes não reflete a complexidade da operação.
“O produtor rural está focado em produzir proteína animal e vegetal, e não em operar sistemas energéticos. Por isso, cabe a nós, fornecedores, oferecer suporte técnico completo e ajudar a identificar a origem real do problema”, afirma Fabiano.
Mais do que apontar falhas, o foco precisa estar em oferecer soluções. E isso começa com uma abordagem consultiva, que leve em conta todo o sistema, do biodigestor ao gerador. O suporte técnico é fundamental, mas precisa ser completo, de um profissional que entenda basicamente do processo como um todo.
Dos primeiros motores adaptados de Santana no ano de 2007, até os motores atuais desenvolvido para o biogás com sistemas atuais com controles avançados de ignição e monitoramento de emissões, muita coisa mudou. Entre as principais evoluções destacadas estão:
✔️Controle preciso de mistura ar/combustível
A adoção de “trens de gás” sofisticados, com válvulas de corte rápido, filtros de particulados, válvulas reguladoras de pressão, solenóides de duplo estágio e válvulas ZPR (Zero Pressure Regulator). Esses sistemas estabilizam o fornecimento de gás ao motor, compensando variações na sua qualidade.
✔️Sistemas de pré-tratamento do gás, como desumidificação e remoção de H₂S.
A remoção de umidade e de H2S é crucial para o bom funcionamento do motogerador. O que antes era realizado com como soda cáustica e o popular “bombril”, atualmente, emprega-se óxido de ferro específico para remoção de H2S e carvão ativado, que, apesar dos desafios iniciais de importação e adaptação, demonstraram maior eficácia.
✔️Monitoramento em tempo real
A integração de controles avançados de fabricantes como Woodware, Motortec e Vogen. Esses sistemas permitem monitoramento detalhado, incluindo:
▪️ Detecção de falhas de vela de ignição (sistema missfire);
▪️ Monitoramento de detonação e folgas de válvulas (sistema kinocor);
▪️ Monitoramento de temperaturas (turbina, admissão, escape) e pressões de admissão;
▪️ Administração do volume de combustível para otimização da mistura ar-combustível (pobre/rica), visando emissões de NOx satisfatórias sem comprometer o consumo.
Outro ponto alto da conversa foi a ênfase na manutenção adequada. Problemas como uso de óleo lubrificante inadequado e filtros de baixa qualidade são causas comuns de falhas, principalmente quando o cliente tenta economizar nas manutenções. A Leão energia, por exemplo, oferece suporte 24h por dia com técnicos espalhados por 19 filiais no Brasil.
“O nosso pós-venda é parte do nosso modelo de negócio. A receita recorrente está na manutenção bem-feita e no acompanhamento próximo do cliente”, afirma Fabiano.
Muita gente pensa que é preciso remover o CO₂ do biogás para garantir uma boa performance. Fabiano explica que isso é um mito: O CO₂ é um gás inerte, que ajuda a controlar a temperatura de combustão. O que realmente importa é o teor de metano (CH₄), que deve estar acima de 48%. Gases contaminantes como H₂S, umidade e siloxanos, sim, são prejudiciais e precisam ser removidos.
A Leão energia deixou de depender exclusivamente de marcas como Scania e MWM e passou a desenvolver seus próprios geradores com motores de diversas marcas como FPT, Cummins e Volvo. Isso trouxe flexibilidade e mais opções para o cliente, que pode escolher conforme o perfil técnico e econômico do seu projeto.
“Não queremos depender de um único fornecedor. Desenvolvemos internamente nossas máquinas e testamos cada motor em campo antes de escalar a produção”, detaca Fabiano.
O episódio é uma verdadeira aula sobre a realidade técnica do biogás no Brasil, com exemplos práticos, histórias curiosas e aprendizados reais. Para quem quer investir, operar ou vender soluções em geração de energia a partir de biogás, fica a lição: mais importante do que vender o equipamento, é entregar performance com responsabilidade e visão de longo prazo.
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Motogerador a Biogás: Como escolher um bom fornecedor?